Quando o escritor francês, Marcel Proust, escreveu o seu clássico “Em Busca do Tempo Perdido”, o fio narrativo central foi sua infância. Grandes outros autores comprovaram e comprovam que, mesmo adulto, a criança e a infância não saem de nós.
Nossas memórias voluntária e involuntária permeiam nossas vidas e se tornam uma espécie de porta secreta que abre portais, indica e norteia caminhos, tornando seminal a importância delas para a construção da história pessoal nossa.
Se isso vale para nossas memórias, lembranças afetivas, sentimentos, comportamentos e outros aspectos mais, terá valido também para a nossa construção física. Por óbvio, a criança saudável, bem alimentada, educada com hábitos saudáveis, amor, estímulo, motivação, interação social equilibrada também terá caminhos mais seguros para seu desenvolvimento e integração na vida adulta, mais possibilidades e chances de se tornar um adulto bem-sucedido no futuro.
Os cuidados que a criança recebe, desde sua gestação, pavimentam o caminho e os papeis que o adulto irá desempenhar até o fim de seus dias. O edifício forte e perene só o será, a depender do alicerce sobre o qual tiver sido construído.
No mundo todo, na maioria das culturas, mesmo nas primitivas, a infância é vista como a base e a fundação de uma sociedade bem estruturada, produtiva, progressista, com cultura enraizada e identidade definida. Um povo que cuida de suas crianças está fadado a ser um país, uma pátria ou uma nação, no legítimo sentido das palavras.
Um povo que protege suas crianças e viabiliza as melhores condições para o seu desenvolvimento protege a si mesmo e assegura o próprio futuro, com independência e autodeterminação, contribuindo com o desenvolvimento da própria humanidade.
Por conta disso, o Dia das Crianças é uma data comemorada em diferentes países para chamar a atenção sobre a relevância que a infância tem.
Dia da Criança
No Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), essa data é 20 de novembro, quando, em 1959, oficializou a Declaração dos Direitos da Criança e estabeleceu uma série de direitos válidos a todas as crianças do mundo centrados na alimentação, amor e educação.
Na mesma linha dos Direitos Universais da Humanidade, o UNICEF declarou como direitos universais da criança:
• proteção e cuidados especiais e legais antes e depois do nascimento, sem discriminação de raça, cor, sexo, língua, religião e origem social;
• desenvolvimento físico, mental, espiritual e moral, com liberdade e dignidade;
• nome, identidade e nacionalidade;
• cuidados pré e pós-natais, alimentação, recreação e assistência médica;
• cuidados especiais adequados e pertinentes para crianças com necessidades especiais;
• amor, compreensão, afeto, segurança moral e social assegurada pela presença dos pais;
• proteção especial aos filhos de famílias numerosas;
• educação primária gratuita, liberdade de brincar e divertir-se;
• prioridade social de proteção e socorro preferencial, em relação a adultos;
• proteção contra negligência, crueldade, exploração e tráfico;
• ambiente de compreensão, tolerância, amizade, paz e fraternidade.
Os itens acima foram resumidos dos 10 Princípios dos Direitos Universais da Criança.
Dia da Criança no Brasil
O Brasil se antecipa ao UNICEF em quase quatro décadas. Em 1923, o Rio de Janeiro sediou o 3º Congresso Sul-Americano da Criança. Em 1924, o deputado federal Galdino do Valle Filho elaborou um projeto de lei sobre a importância e a necessidade desta data comemorativa, para chamar a atenção sobre os problemas da infância em nosso país. Em 5 de novembro de 1924, o decreto nº 4.867 instituiu o 12 de outubro como data oficial para comemoração do Dia das Crianças.
No entanto, o tema não ganhou a relevância que devia nas políticas públicas brasileiras até o final dos Anos Cinquenta do século XX. “Somente em 1955, a data começou a ser celebrada a partir de uma campanha de marketing elaborada por uma indústria de brinquedos chamada Estrela. Primeiramente, (…) lançou a chamada ‘Semana do Bebê Robusto’. O sucesso da campanha logo atraiu a atenção de outros empresários ligados à indústria de brinquedos. Com isso, lançaram uma campanha publicitária promovendo a ‘Semana da Criança’, com o objetivo de alavancar as vendas. Os bons resultados fizeram com que esse mesmo grupo de empresários revitalizassem a comemoração do ‘12 de outubro’ criado pelo deputado Galdino. Dessa forma, o Dia das Crianças passou a incorporar o calendário de datas comemorativas do país.” (https://brasilescola.uol.com.br/dia-das-criancas).
À iniciativa privada do segmento de brinquedos, somou-se uma nova consciência nacional sobre a importância de políticas públicas voltadas para a educação e proteção da criança brasileira como pilares do desenvolvimento do país, com reflexos em todos os segmentos sociais, como saúde, educação e justiça. A Constituição Cidadã brasileira de 1988 é uma prova concreta do quanto o país avançou em direção à proteção da criança no Brasil.
De acordo com o Artigo 227 de nossa Constituição Cidadã, “É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.”
Sem uma infância saudável e protegida, uma nação não tem futuro. É com essa convicção que a Woson, ao colocar as pessoas no centro de sua missão, rende sua homenagem, neste mês de outubro, a todas as crianças, em uníssono com o Brasil homenageada no dia 12, com o UNICEF no dia 20 de novembro e com outros países, cada um em sua data escolhida, em absoluta sintonia com a fraternidade universal cultivada pelos povos do planeta Terra.
Parafraseando Piaget, salve a criança, pelo ser completo e complexo que é e pelo sentimento de respeito que ela desperta em cada um de nós!
Woson
O bem-estar de todos é a energia que nos move.